Constituição Federal

Art. 5º, inciso

IV - A livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sobre política e jardinagem


De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim "vocare", quer dizer "chamado". Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um "fazer". No lugar desse "fazer" o vocacionado quer "fazer amor" com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.

"Política" vem de "polis", cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos os moradores da cidade.


Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu "o que é política?", ele nos responderia, " a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas".
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante.

Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: "Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade.... Ao contrário dos "legítimos" políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem." Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolês.

Escrevo para vocês, jovens, para seduzí-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês.

A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são crueis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem.
Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros.

Eram lenhadores e madeireros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.

Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam.

Rubem Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp.
http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/r_alves/id221000.htm

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Movimento Nova Política

Roda Viva marcou o final do encontro de 02/Fev,
 na Rua Girassol, 555 Vl. Madalena-SP.
Foto: Paulo Santiago
Movimento por uma nova política surgiu da necessidade de um canal amplo para debates, um espaço no qual todas as pessoas podem se manifestar de forma horizontal. Exatamente por essa característica é um ambiente que agrega pessoas de vários partidos políticos, segmentos diversos da sociedade civil formal e informal.


Roda viva é o encontro de pessoas para bater papo, trocar idéias, experiencias e soluções, com isso as pessoas podem promover ações e atividades de forma conjunta e espaços rotativos para dar oportunidade de participação a novas pessoas. É o MOVIMENTO indo para as ruas provocar a discussão sobre questões políticas.

Para participar é só se inscrever no:
www.novapolitica.com.br  

sábado, 27 de outubro de 2012

De volta ao começo


Tem uma música com a qual me identifico muito, dizem que ela foi "feita pra mim" o que discordo absolutamente, mas como na vida nada é absoluto, ao ouvir tal música percebi um trecho no qual encontrei a exceção necessária para justificar o comentário...

(...) As pessoas se convencem
De que a sorte me ajudou
Mas plantei cada semente
Que o meu coração desejou
Ah! O espelho me disse
Você não mudou!

O título da música em comento é "Coração Pirata" e quando ouço é na interpretação de Roupa Nova, preferencialmente ao vivo... 


Como tenho o hábito de semear  e tendo em vista estar saindo de um projeto, hoje quero RECOMEÇAR e todo recomeço exige sementes em solo fértil, isso que faço a partir da RETOMADA DE MEU BLOG pessoal.

HATUNA MATATA
“o que passou, não tem como voltar, o que importa é daqui pra frente!

domingo, 26 de agosto de 2012

Final de semana agitado

Vista panorâmica de Nazaré Paulista
crédito à foto: Bianca Duarte
Final de semana concorrido: casinha da Bianca, chegada do Noelson de volta pra casinha, conhecer Cuiabá e fotos do telhado...Para fechar o dia Comício do Junior e Pizza.
 
Para finalizar o dia

domingo, 11 de dezembro de 2011

Custo do plebiscito.


O custo não está exagerado????
Com todo respeito ao instituto, que é instrumento democrático e deve ser estimulado sem exageros, devemos ficar atentos para o custo.

É de se questionar o custo do plebiscito e a forma voraz com que o TSE passa a defender, de forma implicita, a realização frequente deste tipo de consulta.

Se temos a infraestrutura: urnas, sistema, covocação não onerosa de mesários e servidores, onde foi gasto o montante divulgado,  qual o órgão que fiscaliza o custo deste tipo de atividade?

A democracia deve ser exercida em plenitude e em todas suas formas,  mas o custo deve ser analisado e haver transparência e fiscalização, senão corremos o risco de estar "abrindo mais uma torneirinha" ou mesmo do plebiscito virar uma galinha dos ovos de ouro.

"O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, disse que o plebiscito no Pará serviu de teste para a Justiça Eleitoral realizar plebiscitos anualmente com urnas eletrônicas. Lewandowski afirmou também que será possível realizar consultas populares  e eleições concomitantemente. As declarações foram feitas por volta de 20h deste domingo (11), após o ministro confirmar a vitória do “Não” à divisão do Pará."N.G

" (...)o presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, afirmou em entrevista coletiva em Belém que a votação é histórica. Segundo balanço preliminar, o pleito custou R$ 19 milhões, o que está abaixo da previsão inicial, de R$ 25 milhões. O presidente do TSE disse ainda que não houve registro de ocorrências no Estado, apenas a apreensão de material ilegal em Belém.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Erick, chegou o grande dia, parabéns

Erick e professora Rosangela
        Hoje e amanhã dias de festa, o meu menininho Erik e suas duas formaturas muito importantes, hoje foi o dia do PROED.

"O Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), é um programa de educação preventiva ao uso de drogas, que tem por objetivo evitar que crianças e adolescentes iniciem o seu uso.

Ele ensina técnicas centradas na resistência à pressão dos companheiros e auxílio para as crianças dizerem não às drogas.

O PROERD é um programa eminentemente preventivo, estratégico, tendo como objetivo principal educar as crianças em seu meio natural, a escola, com o auxílio de policiais fardados e professores. Dá ênfase especial em alcançar as crianças na 4ª série do Ensino Fundamental, mostrando-Ihes os efeitos das drogas e ensinando as habilidades necessárias e motivação para manterem-se longe desse mal.

O programa também busca oferecer aos estudantes uma chance de ver os adultos corno amigos e pessoas em quem eles podem confiar.

Permite às crianças desenvolverem uma atitude positiva em relação às autoridades e respeito pelas leis.

       Amanhã é dia de sua primeira formatura, espero que se forme muitas outras vezes. Que Deus ilume você e que conduza tua vida se formando um homem integro e digno, de muito sucesso.

       Psiu, eu te amo meninão (não conta pra ninguém, tá?)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O novo jeito de fazer política com responsabilidade e combate a corrupção

Quero aqui compartilhar um post muito interessante e que vale ser lido por representar uma esperança, uma luz no caminho...

O Brasil vem passando por grandes avanços e modificações, e em meio a tanta mudança e avanços as idéias e praticas se renovam, e surgem novas ideologias de vida e novas perspectivas. De acordo com essa ótica surgem nesta era idéias totalmente diferentes de se pensar e agir na política, as pessoas começam a dialogar discutir e compartilhar idéias sobre o desenvolvimento responsável da nação, vejo a política como instrumento responsável pelo desenvolvimento coerente das cidades, como ponte de avanços e conquistas e não como trono para um reinado de miséria e de práticas assistencialistas voltadas para a politicagem, temos que pensar em política para fazer o bem, trazendo prosperidade para o povo através de qualificação profissional e emprego para que o povo tenha independência financeira e seja mais prospero e feliz, sonho com uma sociedade que não vende o voto, sonho com uma sociedade em que políticos honram seus mandatos, mais creio que meu sonho em breve se tornará realidade e poderei ver as pessoas libertas deste sistema falso e mesquinho. Tenho ideais na política que poucos defendem, mais luto por coerência e honestidade, pois o homem que tem honra ele faz sua parte na sociedade e faz acontecer, com coerência, responsabilidade, respeito, serenidade, opinião e coragem. Sou destemido e lutarei por essa nova política faço das palavras de Marina Silva as minhas “ é hora de pensar grande e começar uma nova política de responsabilidade e coerência” e como a ex-senadora quero ser um mantenedor de utopias.

Postado por: Sãnnchyllys Oliveira da Silva

domingo, 20 de novembro de 2011

O homem

Esta composição é digna de provocar uma grande reflexão...
Cristo, o homem, que trilhou a terra trazendo mensagens em forma de oração, palavras e gestos de amor.

Seus passos e ensinamentos nos conduzem à esperança de que é possível um mundo melhor mais justo onde as pessoas possam viver com dignidade, mostrou-nos que existe um caminho certo a seguir...
Geraldo Duarte


Um certo dia um homem esteve aqui
Tinha o olhar mais belo que já existiu
Tinha no cantar uma oração.
E no falar a mais linda canção que já se ouviu.

Sua voz falava só de amor
Todo gesto seu era de amor
E paz, Ele trazia no coração.

Ele pelos campos caminhou
Subiu as montanhas e falou do amor maior.
Fez a luz brilhar na escuridão
O sol nascer em cada coração que compreendeu

Que além da vida que se tem
Existe uma outra vida além e assim...
O renascer, morrer não é o fim.

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Eu sei que Ele um dia vai voltar
E nos mesmos campos procurar o que plantou.
E colher o que de bom nasceu
Chorar pela semente que morreu sem florescer.

Mas ainda há tempo de plantar
Fazer dentro de si a flor do bem crescer
Pra Lhe entregar
Quando Ele aqui chegar

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Composição: Roberto Carlos / Erasmo Carlos

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS - GEORGE ORWEL

Quando o inconformismo nos move a promover uma revolução e chegamos ao poder existem regras básicas que devemos cumprir sob pena de, não as cumprindo, se perder o espírito da revolução.

Não podemos chegar ao poder e continuar as práticas que tanto combatemos. O triste da revolução é nos darmos conta de que o porco virou homem!!!

Geraldo Duarte  em 11/11/11.

Faz dias que não passo por aqui, sinto falta desse cantinho...

Hoje tive a alegria de reencontrar "Os saltimbancos":  musical infantil com letras de Sergio Bardotti e música de Luis Enríquez Bacalov, com versão em português e músicas adicionais de Chico Buarque.

O musical foi inspirado no conto Os Músicos de Bremen recolhido pelos Irmãos Grimm e adaptado por Sergio Bardotti como uma alegoria política, na qual o Burro representaria a Intelligentsia; a galinha, a classe operária; o cachorro, os militares e a gata os artistas. O barão, inimigo dos animais, é a personificação da elite, ou dos "detentores do meio de produção".

E foi no calor desta alegria que nasceu o desejo de compartilhar com todos a sintese de "A revolução dos Bichos"...

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS - GEORGE ORWEL

“Lembro-vos também de que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. Animal nenhum deve morar em casas, nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem comerciar. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais.”
George Orwell

O início de uma fábula contemporânea. O dono da Granja do Solar, Sr. Jones, embriagado com o poder, tranca o galinheiro e vai para a cama cambaleando.
Major, porco ancião e premiado, reúne todos os animais e conta seu sonho visionário de como será o mundo depois que o homem desaparecer. Declara em tom profético a necessidade dos bichos assumirem suas vidas, acabando com a tirania dos homens.
Os animais são contagiados pelos versos revolucionários e entoam apaixonadamente a canção "Bichos da Inglaterra". Sr. Jones acorda alarmado com a possível presença de uma raposa e, com uma carga de chumbo disparada na escuridão, encerra a cantoria.
Major falece três noites após. A morte emoldura o mito e suas palavras ganham destaque nas falas dos animais mais inteligentes da granja. Os bichos mais conservadores insistem no dever de lealdade ou no medo do incerto: “Seu Jones nos alimenta. Se ele for embora, morreríamos de fome”.
Os perfis dos animais são traçados: os porcos, as ovelhas, os cavalos, as vacas, as galinhas, o burro... Todos com traços marcantes de manipulação, alienação, rigidez, ignorância, dispersão, teimosia...

A rebelião ocorre mais cedo do que esperavam. Com a expulsão do Sr. Jones da granja, surge o momento de reorganizar o funcionamento da propriedade. Os porcos assumem a liderança, dirigem e supervisionam o trabalho dos outros. Os demais dão continuidade à colheita. Alguns bichos se destacam pela obstinação, como o cavalo Sansão, cujo lema é “Trabalharei mais ainda.”
Os sete mandamentos declarados por Major são escritos na parede:

“Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
Nenhum animal usará roupa.
Nenhum animal dormirá em cama.
Nenhum animal beberá álcool.
Nenhum animal matará outro animal.
Todos os animais são iguais.”

Bola-de-neve e Napoleão se destacam na elaboração das resoluções. Sempre com posições contrárias. Os demais animais aprenderam a votar, mas não conseguem formular propostas. A pluralidade de pensamentos dá margem aos debates e às escolhas.
Os sete mandamentos elaborados na revolução são condensados no lema “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”. A síntese do “animalismo” é repetida pelas ovelhas no pasto por horas a fio.

Sr. Jones tenta recuperar a propriedade, mas é vencido pelos bichos na “Batalha do Estábulo”. O porco Bola-de-neve e o cavalo Sansão são condecorados pela bravura demonstrada no conflito. Mimosa foge para uma propriedade vizinha seduzida pelos mimos oferecidos por um humano. Surge a idéia de construção de um moinho de vento... Os animais ficam divididos com a perspectiva do novo.

Bola-de-neve e Napoleão sobem ao palanque e montam suas campanhas políticas. A eloqüência de Bola-de-neve conquista os animais, mas a força dos cães de Napoleão expulsa Bola-de-neve da granja e “legitima” Napoleão no cargo de líder diante dos atemorizados bichos.
Os bichos trabalham como escravos na construção do moinho de vento e gradativamente vão perdendo a memória de como era a vida na época do Sr. Jones. Animais trabalhadores, como Sansão, acordam mais cedo, trabalham nas horas de folga e assumem as máximas elaboradas pelos donos do poder: “trabalharei mais ainda” e “Napoleão tem sempre razão”.
Como a maioria dos animais não aprendeu a ler, os mandamentos vão sendo alterados na medida em que Napoleão e seus assessores vãos assumindo posições contrárias aos princípios que nortearam a revolução: os porcos começam a comerciar a produção da granja, passam a residir na casa do Sr. Jones, dormem em camas, usam roupas, bebem uísque, relacionam-se com homens... A maioria dos animais é facilmente convencida dos seus “equívocos de interpretação”. Os poucos que conseguem ler e interpretar as adulterações do poder se omitem...
Alguns animais são executados sob a alegação de alta traição. Tudo o que ocorre de errado na granja é de “responsabilidade” de Bola-de-neve. Sua história é enterrada na lama de mentiras e manipulação imposta pelo novo regime. As reuniões de domingo são proibidas e a canção “Bichos da Inglaterra” é censurada. Os bichos trabalham mais e não são reconhecidos por seus esforços. Todas as condecorações são dadas ao líder.
Os animais passam privações. Suas rações são diminuídas em prol do bem comum. Os porcos são agraciados com os privilégios do poder. Uma segunda batalha com os humanos surpreende os animais enfraquecidos, mas, apesar das muitas perdas, eles vencem e permanecem sob a ditadura imposta por Napoleão. Infelizmente perderam os parâmetros para avaliação, perderam a memória da história antes do governo de Napoleão.
Os homens destroem o moinho de vento e os animais trabalham mais para reconstruí-lo. A dedicação do cavalo Sansão é assustadora, abdica da própria saúde em prol do ideal. Depois de alguns dias é vencido pela fragilidade da avançada idade e do pulmão debilitado... Os porcos simulam uma internação num grande hospital, mas entregam o velho cavalo ao matadouro. Os direitos do trabalhador e do aposentado se encerram na indiferença dos poderosos.

O burro Benjamim que aprendeu a ler, apesar de ter preferido o silêncio durante todo o período, tenta alertar os demais animais, mas é tarde... O porco Garganta convence os bichos de que a carroça que levou o cavalo foi comprada pelo grande veterinário, mas continuou com os letreiros do velho dono... Poucos dias depois, o anúncio da morte de Sansão chega à granja e os porcos recebem uma caixa de uísque...

Os animais escravizados ganham alento nas palavras do corvo Moisés que garante que, finda esta vida de sofrimentos, haverá a “Montanha de Açúcar – Cande”, “o lugar feliz onde nós, pobres animais, descansaremos para sempre desta nossa vida de trabalho”.  As atitudes dos porcos com Moisés são ambíguas: afirmam, aos bichos, que a história de Moisés é uma grande mentira, porém ele permanece na granja sem trabalhar e ainda com direito a um copo de cerveja por dia. A religião arrebanha algumas “ovelhas”.

“Passaram-se anos. As estações vinham, passavam, e a curta vida dos bichos se consumia.” A nova geração só conhecia esta realidade, exceto Quitéria, Benjamim, o corvo Moisés e alguns porcos... A vida era muito difícil, mas existia a certeza de que todos os animais eram iguais... Não tardou para os bichos espantados presenciarem os porcos andando sobre duas patas com chicotes nas mãos.

Só restava um único mandamento e mesmo assim adulterado: “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”. Depois disto nada mais se estranhava. Os porcos fumavam, bebiam e andavam vestidos – haviam se assenhorado dos hábitos do Sr. Jones. Uma noite, os porcos receberam os vizinhos humanos para uma reunião na casa. Os demais animais ficaram à espreita na janela da sala de estar.
Seguiram-se pronunciamentos, declarações de mútuo afeto e admiração por parte dos porcos e dos homens. Os vizinhos humanos parabenizaram os porcos pelos métodos modernos de ordem e disciplina impostos: "... os animais inferiores da Granja dos Bichos trabalhavam mais e recebiam menos comida do que quaisquer outros animais do condado."
Todos os alicerces da revolução estavam corrompidos nas palavras de Napoleão. Até mesmo a granja voltaria a ter o mesmo nome da época do Sr. Jones: “Granja do Solar”.
Os animais estupefatos se afastaram, mas não alcançaram vinte metros quando iniciou uma violenta discussão entre Napoleão e o vizinho humano motivada por uma jogada no carteado...

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”

A metáfora da janela é fundamental para a abertura da percepção da realidade. Os ditadores podem estar revestidos em qualquer corpo se conservarem as máscaras capazes de adulterar a memória histórica dos governantes, tornando-os marionetes manipuladas com o medo e a omissão.
O que fazer com a última mensagem do livro, qual seja, a impossibilidade de distinguir quem era porco e quem era homem? Pensar que qualquer bicho fará o mesmo quando investido de poder ou refletir sobre as atitudes e omissões de quem legitima o poder com o trabalho diário e a aceitação do crescente empobrecimento?

“A revolução dos bichos” é um texto que, a princípio, parece visionário, mas, em poucos capítulos, identificamos os acontecimentos históricos na sátira elaborada pelo grande escritor. George Orwell conseguiu interpretar a realidade com lucidez e quis alardear suas percepções sobre os movimentos sociais, o poder e os indivíduos.

A revolução russa. Major (Lenin); Napoleão (Stalin); Bola-de-neve (Trotsky); as ovelhas, que repetem sem consciência os lemas; os cavalos com seus tapa-olhos que só conseguem olhar para o trabalho; as galinhas que se perdem na dispersão; o burro empacado em suas verdades; os cães fiéis à guarda de seus donos... Todos personagens históricos, escravos da própria revolução, prisioneiros dos sonhos depauperados...
Como alterar a história? Tornar-se sujeito ativo de transformação? Reescrever os velhos mandamentos e ensaiar uma precipitada revolução ou elaborar uma nova análise das conjunturas a fim de reavaliar nossos princípios?
A revolução dos bichos se repete na história. Novos personagens assumem os papéis dos protagonistas e o enredo continua... Alguns preferem a silenciosa leitura dos fatos, outros desejam escrever novos capítulos...
É, caro leitor, precisamos de engajamento, de comprometimento com os mandamentos que norteiam nossas ações e de coragem para espreitar a realidade com olhos de transformação sem apagar a memória de nossas conquistas históricas.
George Orwell, escritor, jornalista e militante político, participou da Guerra Civil Espanhola na milícia marxista/trotskista e foi perseguido junto aos anarquistas e outros comunistas pelos stalinistas. Desencantado com o governo de Stalin, escreveu “A Revolução dos Bichos” em 1944. Nenhum editor aceitou publicar a sátira política, pois, na época, Stalin era aliado da Inglaterra e dos Estados Unidos. Só após o término da guerra, em 1945, é que o livro foi publicado e se tornou um sucesso editorial.
Helena Sut
Enviado por Helena Sut em 25/01/2005
Reeditado em 05/01/2010
Código do texto: T2369
http://www.recantodasletras.com.br/resenhas/2369

domingo, 30 de outubro de 2011

Clívia um espetáculo da natureza

Um dia passávamos por uma estrada, quando ao olhar para lateral esquerda podemos notar um vaso com um lindo botão de flor. Paramos e perguntamos ao rapaz qual o nome daquela flor então ele respondeu: Clívia.

Depois de alguma insistência e com um desconto considerável adquirimos aquele vaso ornamental. Depois de alguns dias, já em casa, a flor caiu e então resolvi mudar de vaso replantando aquela muda.

Dois anos depois, uma nova produção e um espetáculo da natureza que resolvemos registrar em seus vários estágios. Agora compartilho com os leitores do meu blog o resultado final do registro.

Agora esperamos outros outubros
para reviver a alegria de ver nascer outras clívias...
Clívia em out.2011, encanto aos olhos dos que podem
perceber a mensagem de Deus...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Desfiliação partidária

Desfiliação / Filiação partidária.

Ver imagem em tamanho grandeNo próximo ano, 2012 teremos eleições municipais, como a própria grafia indica não se trata de eleição, mas sim eleições, qual o motivo disso?

São eleições, pois estaremos votando duas vezes: primeiro para compor a Câmara Municipal, escolhendo os vereadores que irão nos representar no poder legislativo; depois votaremos em prefeito que governará o município como chefe do poder executivo (poder executivo).

Todo aquele que pode votar (cidadão) também poderá receber o voto e concorrer aos cargos, porém para que concorram a qualquer dos cargos precisa estar filiado a uma agremiação (partido político) a mais de um ano, ou seja aqueles que tenham interesse em concorrer às eleições de 07 de Outubro de 2012, precisam se filiar até o 06 de outubro de 2011.

Os interessados devem ir ao cartório eleitoral verificar se está filiado a algum partido, muitas pessoas estão filiadas e nem sabe, por isso é bom conferir. A dúvida pode ser sanada pedindo uma Certidão de Filiação Partidária.

Verificando que não está filiado a nenhuma agremiação é só escolher o partido de sua preferência e filiar-se, é importante que você saiba quem são as pessoas que “controlam o partido” e qual a linha política que seguem, pois você pode querer apoiar um candidato e o partido indicar outro, inviabilizando assim seu projeto.

Se constar que está filiado a algum partido faça uma carta simples informando ao partido que não tem mais interesse de permanecer filiado (Carta de desfiliação). Vale lembrar que a carta de desfiliação poderá ser recebida por qualquer um dos membros do Partido (não tem que ser o Presidente).

A carta de desfiliação não pode se confundir com PEDIDO, pois não cabe a agremiação negar ou conceder, é apenas um ato formal de AVISO para evitar problemas futuros (dupla filiação).

Para evitar constrangimento e mostrar conduta democrática e ética todos os partidos devem facilitar ao máximo tanto a entra quanto a saída de membros do quadro de filiados, porém alguns partidos tem como hábito tentar dificultar ao máximo a desfiliação de membros, foto esse que demonstra a falta de preparo dos que estão na direção do órgão partidário.

No caso de negativa do recebimento da Carta de Desfiliação a mesma pode ser assinada por duas testemunhas da tentativa de entrega, valendo ai como se tivesse sido recebida, outro meio é o envio por correio com Aviso de Recebimento que surte o mesmo efeito, neste segundo caso é interessante que o encaminhamento seja ao Diretório Estadual do Partido fazendo constar a conduta do diretório local em negar o recebimento. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Golpe de Estado em JANDIRA

Um erro não justifica o outro!

É notório e de conhecimento geral que não sou adepto da maneira de governar adotada pela Prefeita Drª Anabel. Eu já disse a ela que perdeu a oportunidade de fazer a diferença e mostrar a que veio, porém iludida com as MENTIRAS DO PARTIDO DOS TRABALHADORES e submetendo-se ao ridículo papel de “menina de recados” e sem nenhuma autoridade desencadeou vários atos que certificam sua ação juvenil e absoluta falta de capacidade administrativa e iniciativa própria, o que revela sua inexperiência.

Por tudo isto a cidade encontra-se na situação vergonhosa e sob constante holofotes de notícias negativas que nos faz ter vergonha da situação em que se encontra nossa cidade, porém uma erro não justifica o outro e  o ATO INSANO praticado por vereadores que, numa tentativa desesperada de levar vantagens pessoais, AGREDIRAM AINDA MAIS CIDADE, merece nosso total repúdio.

Os acontecimentos, que assistimos envergonhados, aproximam-se, a um GOLPE DE ESTADO, no qual o Presidente do Poder Legislativo de forma insólita invade o Gabinete do Chefe do Executivo e toma para si o Poder.

Ao verificar a Lei Orgânica para entender o que acontecia notei que o a alínea “b” do artigo 48 combinado com artigo 49, foi o que orientou os vereadores, porém o art. 49 prescreve exatamente: “Admitida a denúncia por maioria absoluta dos membros da Câmara , o Prefeito ficará suspenso de suas funções, até o julgamento final, sendo que a condenação se dará por 2/3 (dois terços).”

Pois bem, considerando que a composição da Casa é de 11 vereadores, a maioria absoluta é 6,5, pela regra do §4º, do artigo 10, da lei 9.504/97, em todos os cálculos será desprezada a fração, se inferior a meio, e igualada a um se igual ou superior. Daí o entendimento que no caso de JANDIRA a maioria absoluta é 7 (sete) votos. Portanto a denúncia em tela não foi admitida por maioria absoluta.

Com base neste entendimento é que lamento todo ocorrido em nossa cidade que PRECISA URGENTE DE UMA RENOVAÇÃO POLÍTICA ampla e geral.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Marcha contra a corrupção

É sempre muito positivo assistir movimentos de reação popular, e como o povo brasileiro é muito paciencioso quando isso acontece é uma clara manifestação de que as coisas já estão passando muito dos limites de tolerância. É justamente isso que está acontecendo em relação ao grande aparato de corrupção instalados em todos os níveis da administração pública no Brasil.

Ocorre que logo que se dão conta algumas instituições com faro político aguçado logo se atiram no seio do movimento para “promover visibilidade” e lograr êxito com o crescimento do movimento, buscando ao final novo espaço privilegiado em eventual mudança do cenário, é justamente isso que noto na presença de algumas entidade:

“O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, comparou o movimento às Diretas-Já e aos protestos pelo impeachment do então presidente Fernando Collor.
"Essa é uma forma de dizer que país queremos, com moralidade e justiça. É um grito que precisa ser ouvido (...) A classe média saiu de casa e veio para a rua. Foi assim com as Diretas-Já e com o impeachment. É assim que começa", disse durante a marcha.
Junto da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), a OAB lançou um manifesto em que apoia o movimento popular e destaca a necessidade de aprimoramentos nos Três Poderes. Entre eles, a aplicação da Lei da Ficha Limpa e a transparência nos gastos do Executivo federal.”

Cabe aos verdadeiros manifestantes afastar esse tipo de apoio que já vêm viciado e com o intuíto claro de não perderem o seu NACO nos cofres públicos. A sabedoria indica que esse tipo de apoio deve ser mantido longe do núcleo dos movimentos para não contaminá-los pois estas entidades são crias e sustentadas com dinheiro público por meio de subvenções e convênios ou com contribuição compulsória em seu favor, como é o caso da OAB.


A Marcha contra a Corrupção, movimento que ocorre paralelamente ao desfile de 7 de Setembro, reuniu milhares de pessoas em Brasília, segundo a Polícia Militar,  cerca de 60 mil o público na Esplanada dos Ministérios durante a manhã desta quarta-feira. Destes, entre 45 mil e 50 mil assistiram ao desfile militar. O público da marcha foi estimado pela secretaria em 12 mil --sendo que parte dele assistiu ao desfile e se integrou ao protesto depois.

Uma estimativa de público diferente foi feita pelo comando da Polícia Militar no local, que chegou a falar em 100 mil pessoas na marcha e no desfile militar. Essa estimativa foi considerada superestimada pela secretaria.

Apitos, máscaras, nariz de palhaço e caras pintadas de preto foram os símbolos escolhidos pelos manifestantes para protestar contra a corrupção no país. As faixas carregadas ao longo da marcha falam de corrupção em geral e do caso específico da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), livrada da cassação pelos colegas no fim do mês passado.

O protesto saiu do Museu da República e caminhou até o Congresso Nacional, ou seja, de um ponto a outro da Esplanada dos Ministérios. Jovens representam a maior parte dos manifestantes, mas também há crianças e idosos.


Comentário:
Olha a OAB querendo pegar carona em movimento popular, para depois se dizer batuta do movimento.
OAB é sinônimo de aparelhamento dos meios de corrupção neste país. Não se enganem é cria do REGIME, instituída por lei, e do CORPORATIVISMO afim de dar legalidade a desvios de verbas públicas sem nenhuma finalidade específica.

domingo, 28 de agosto de 2011

Agradecimento

Com alegria e honra recebi a notícia de menção a este blog, através da Revista Bombeiros Anjos da Vida, Ano III, Edição nº 11, abr/mai/jun – 2011, pg. 48. Não é segredo que sou apreciador deste veículo de comunicação, bem como profundo admirador da Instituição.

Quando existir um conflito de interesses entre membros e instituição, devemos socorrer primeiramente a INSTITUIÇÃO, vivemos em um país órfão de bons exemplos institucionais, portanto faço votos que o Corpo de Bombeiros seja inatingível e, quando houver reivindicações ou bandeiras na defesa dos direitos justos e merecedores dos seus membros A INSTITUIÇÃO SEJA PRESERVADA A QUALQUER CUSTO, mesmo na crise.

No direito aprendemos que havendo conflito entre direito material (Lei) e a justiça, devemos afastar a Lei para fazer justiça, assim seja em todos os campos de nossa vida.

Bombeiro é um estado de espírito! Então, toda a solidariedade, todo amor ao próximo é um espírito de Bombeiro, sei que existem muitos cidadãos que gostariam de ser Bombeiros e que tem esse espírito.”

Cel. PM Luiz H. Navarro.
Revista Bombeiros Anjos da Vida, Ano III, Edição nº 11, abr/mai/jun – 2011, pg. 8.